Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
A última hora
How many times does a man have to cry?
The answer, my friend, is riding in the wind.
The answer is riding in the wind.
Impotência. Quando se abate sobre nós, tudo o resto deixa de ser importante. Spike Lee ascendeu à categoria de "monstro do cinema". Não sei quantas categorias há no cinema, mas Edward Norton enunciou umas quantas ao espelho. Não sei no dia a dia se sente a prisão, quando quase não se vêm policias no filme. E os que se vêm são um casal muito gay, corrupto e fotográfico e os 3 irmãos que prendem Monty. Não sei onde estavam as algemas da sociedade, mas estavam nos cumprimentos do Monty a cada passo que dava. Todos sabiam da fatalidade e da impotência para fugir a essa fatalidade. A personagem pelo menos de alguns libertou-se, seguindo o seu caminho natural. Na impotência de ir para a cadeia, liberta-se das garras da mafia. Monty njão chorou. Mas chora-se no filme. Spike Lee afirma-se Nova Iorquino. A forma como vai buscar o Central Park, para novo ícone da cidade. A forma como Monty passeia pelas ruas e forma como insulta toda Nova Iorque, que no fundo não é mais do que o grande elogio do filme à cidade. Afinal aquilo é o que ainda permanece. O que é inevitável. Este filme é sobre todos os ícones de Nova Iorque, não a do glamour da Broadway, mas dos que vivem e trabalham lá no dia a dia. Dos dealers brancos e ricos ao negros pobres do Harlem, dos junkies, dos iuppies de Wall Street, que mesmo após, se recusam a abandonar o local, dos pseudo intelectuais que andam a comer menores de 18. Dos bombeiros bebedolas, que no bar onde as paredes mostram as fotos dos colegas que ficaram nos escombros, gritam pela sua equipa de basebol, dos russos e dos seus chãs, dos tailandeses, dos ucranianos, dos porto riquenhos, dos dominicanos, dos mexicanos, dos pretos, dos indianos, dos italianos, dos irlandeses, dos iuppies, dos gays, do pai, da namorada, do Doyle:
Que por impotência é salvo e que é o único a ter um papel positivo no filme, para além do próprio Monty, que é servir para que Jacob volte a recuperar uma vida amorosa saudável.
Todos os restantes encontram-se num caminho para a perdição. Todos não. Lembram-se do Fight Club? O iuppie descobriu o seu lado humano. Deixará de precisar da sua bola anti-stress. Perderá dinheiro na correctora. Deixara de viver ao lado do buraco do WTC. Ou então talvez não! Mas não falará. A primeira regra do Fight Club é "não falar do Fight Club". Mas que importa isso?
O tempo destroi tudo!
O tempo carrega o fatalismo de trazer preso o futuro, contra o qual somos impotentes.
Uma nota final: nunca há falta de movimento. Lee quis mostrar uma cidade não fotográfica, uma cidade fervorosa, em diversão. Pessoas que se divertem, que seguem a sua vida normalmente. Pessoas capazes de sorrir e capazes de confiar. Uma cidade cheia de agitação, até nas horas mais inóspitas.
New York Lives! Esta é a sua fatalidade!
25th Hour -
Spike Lee - 5/5
publicada por David Rodrigues #
11:04 